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Quem trabalha com negócios não pode se dar ao luxo de ser invisível no LinkedIn
Chris Paes · 10 de set. 2026

Você pode achar o LinkedIn chato. Pode reclamar dos textos de superação, das histórias inventadas de processos seletivos e de quem transforma qualquer café em uma lição sobre liderança. Tudo bem. Mas se você trabalha com negócios e decidiu ignorar o LinkedIn por causa disso, talvez esteja cometendo uma burrice estratégica. Não porque todo mundo precise virar criador de conteúdo ou publicar todos os dias, mas porque, para quem vende, lidera, presta serviços, recruta, participa de associações, busca clientes, parceiros ou oportunidades, é difícil justificar estar completamente fora de uma das principais redes profissionais do mundo.
O maior erro é pensar que usar LinkedIn significa necessariamente postar. Antes de ser uma rede de conteúdo, o LinkedIn é uma enorme base de informações profissionais. Pessoas pesquisam outras pessoas, empresas, cargos, setores, serviços e experiências o tempo todo. Isso significa que, mesmo que você nunca publique nada, alguém pode receber seu nome em uma indicação, ouvir falar de você em uma reunião ou encontrar sua empresa em uma conversa e abrir seu perfil antes de entrar em contato. Nesse momento, o que aparece ali já começa a construir uma percepção sobre você.
Imagine uma situação simples. Um empresário recebe seu nome como indicação para um projeto. Antes de ligar, abre o LinkedIn. Encontra uma foto desatualizada, um cargo genérico, nenhuma descrição relevante e experiências antigas. Agora imagine que ele pesquisa outro profissional e encontra um perfil bem organizado, com uma descrição clara da atuação, experiências bem apresentadas, projetos, cases, recomendações e alguns conteúdos mostrando como aquela pessoa pensa sobre o mercado. Mesmo que os dois tenham a mesma competência técnica, a percepção inicial dificilmente será igual. Isso acontece antes de qualquer proposta, reunião ou apresentação comercial.
No B2B isso se torna ainda mais importante porque muitas decisões de compra acontecem longe de quem está vendendo. Estudos realizados pelo próprio LinkedIn em parceria com a Edelman mostram que boa parte dos profissionais envolvidos na avaliação de fornecedores sequer conversa diretamente com o vendedor. Mesmo assim, essas pessoas pesquisam empresas, lideranças, especialistas e conteúdos antes de formar uma opinião. Em outras palavras, pode existir alguém discutindo a contratação da sua empresa em uma reunião da qual você nunca vai participar, mas essa pessoa pode abrir seu LinkedIn, pesquisar seus sócios, analisar quem trabalha com você e tentar entender se existe autoridade, experiência e confiança por trás daquela marca.
Empresas já entenderam isso na prática. A Algar Telecom, por exemplo, utilizou o LinkedIn Sales Navigator para estruturar uma operação de prospecção B2B e ampliar a identificação de empresas e decisores relevantes. O case divulgado pela própria plataforma relata milhares de novas empresas incorporadas ao processo comercial e retorno significativamente superior ao investimento realizado na ferramenta. O ponto aqui não é defender que toda empresa precise contratar Sales Navigator, mas perceber que uma organização grande tratou o LinkedIn como ferramenta comercial, não como lugar para postar frases motivacionais.
Outro exemplo é o Citi no Brasil. Depois de mudanças importantes em sua operação no país, o banco utilizou o LinkedIn como parte de uma estratégia de posicionamento junto a empresas, investidores institucionais e governos. A plataforma foi usada não apenas para divulgar a marca, mas para fortalecer liderança de pensamento e gerar oportunidades comerciais. Novamente, o LinkedIn aparece menos como uma rede social tradicional e mais como parte da construção de reputação dentro de um mercado específico.
Existe ainda um movimento que considero mais relevante: empresas começando a perceber que pessoas comunicam melhor do que logotipos. A Dreamdata, empresa B2B de tecnologia, estruturou uma estratégia em que executivos, lideranças e especialistas passaram a produzir conteúdos baseados nas próprias experiências. A empresa identificava os conteúdos com melhor desempenho e ampliava sua distribuição. Segundo o case divulgado, conteúdos conduzidos por pessoas tiveram desempenho superior aos anúncios tradicionais da marca e participaram diretamente da jornada de vários negócios fechados. A lógica é simples: quando alguém precisa confiar em uma empresa, quer entender quem são as pessoas por trás dela.
No Brasil, a Youse também trabalhou a presença de executivos na plataforma. Lideranças passaram a publicar artigos, compartilhar conhecimento e participar mais das conversas do mercado, enquanto a empresa utilizava sua página institucional para ampliar esses conteúdos. O resultado foi crescimento de audiência e alcance muito maior. Mais uma vez, o ponto não é transformar diretor em influenciador. É fazer com que quem representa uma empresa também represente conhecimento, experiência e visão sobre o mercado em que atua.
É por isso que eu não acredito que todo empresário precise virar creator, mas acredito que praticamente todo profissional que vive de negócios deveria ser encontrável. Existe uma diferença enorme entre produzir conteúdo para ganhar seguidores e construir presença para ganhar reputação. Seu perfil precisa responder rapidamente quem você é, o que faz, em que mercado atua, que problemas sabe resolver, quais experiências sustentam sua atuação e por que alguém deveria conversar com você.
Ainda é comum encontrar empresários excelentes no mundo real com perfis que passam uma imagem completamente diferente. O sujeito administra uma empresa com dezenas ou centenas de funcionários e o título no LinkedIn diz apenas “Diretor”. Diretor de quê? Qual mercado? Que empresa? Que experiência possui? Que tipo de decisão lidera? Nada disso aparece. É praticamente como possuir uma empresa excelente em uma avenida movimentada e decidir retirar a placa da fachada.
Outro erro é aparecer somente quando precisa de alguma coisa. A pessoa passa anos sem interagir, sem atualizar o perfil, sem construir rede e sem participar de conversas. Então aparece quando precisa contratar alguém, vender um serviço, divulgar um evento ou lançar um produto. Só que relacionamento profissional não funciona desse jeito. O melhor momento para construir uma rede é justamente quando você ainda não precisa pedir nada. Networking não deveria começar na necessidade; deveria começar muito antes dela.
Se eu estivesse hoje completamente fora do LinkedIn, não começaria criando um calendário de vinte posts. Começaria arrumando a casa. Pesquisaria meu próprio nome no Google e no LinkedIn, abriria meu perfil como se eu fosse alguém que nunca me conheceu e tentaria entender o que aquela página comunica. Minha foto representa quem sou hoje? Minha capa diz alguma coisa sobre minha atuação? Meu título explica o que faço ou simplesmente repete meu cargo? Meu resumo deixa claro em que mercado atuo, qual é minha experiência e que tipo de problema resolvo? Minhas experiências estão atualizadas? Existem projetos, resultados ou números que ajudam a comprovar minha trajetória? Minha empresa aparece corretamente vinculada ao perfil?
Depois disso, eu trabalharia rede. Procuraria clientes atuais, antigos clientes, pessoas que conheci em eventos, empresários da minha cidade, profissionais do meu mercado, fornecedores, parceiros, lideranças que admiro e pessoas que trabalham em empresas com as quais eu gostaria de ter algum tipo de relação no futuro. Não para mandar proposta imediatamente, mas para construir uma rede que faça sentido. Uma rede profissional forte não é formada por milhares de pessoas aleatórias, mas por conexões que possuem algum contexto.
Depois começaria a participar mais das conversas. E participar não significa escrever “parabéns pela reflexão” em vinte posts por dia. Significa acrescentar alguma coisa. Contar uma experiência, trazer um exemplo, discordar com argumento, complementar um ponto, fazer uma pergunta boa ou apresentar uma perspectiva diferente. Um comentário bom também posiciona. Em alguns casos, inclusive, pode colocar você diante de uma audiência que ainda não conhece seu trabalho.
Só então eu começaria a pensar em conteúdo. E mesmo assim não tentaria falar sobre tudo. Escolheria três ou quatro assuntos pelos quais quero ser reconhecido e começaria a construir um histórico sobre eles. Porque um post isolado dificilmente posiciona alguém. O posicionamento nasce da repetição coerente de ideias, experiências, opiniões e repertório ao longo do tempo. Quando alguém entra no seu perfil e percebe que você vem falando consistentemente sobre determinados assuntos, começa a associar sua imagem àquele território.
E aqui entra a parte prática. Se você terminou este artigo e quer começar hoje, não precisa montar uma grande estratégia nem criar um planejamento para os próximos seis meses. Dá para melhorar bastante sua presença em menos de uma hora.
Checklist para fazer hoje no LinkedIn:
- Pesquise seu próprio nome no Google e no LinkedIn.
- Abra seu perfil e tente entender, em 10 segundos, se está claro o que você faz.
- Atualize sua foto de perfil, caso ela não represente mais quem você é profissionalmente.
- Troque a imagem de capa por algo que tenha relação com sua atuação, empresa, projeto ou posicionamento.
- Reescreva seu título profissional. Não deixe apenas o nome do cargo.
- Revise o campo “Sobre” e explique de forma clara quem você é, o que faz, para quem trabalha e que tipo de problema resolve.
- Atualize suas principais experiências profissionais.
- Inclua projetos, números, resultados ou cases que comprovem sua trajetória.
- Confira se sua empresa atual está corretamente vinculada ao seu perfil.
- Organize suas principais competências e elimine aquelas que não reforçam mais seu posicionamento.
- Peça uma recomendação para pelo menos uma pessoa com quem você já fez um bom trabalho.
- Adicione aos Destaques um case, projeto, artigo, entrevista, apresentação ou conteúdo importante.
- Encontre 10 pessoas profissionalmente relevantes que você conhece e ainda não estão na sua rede.
- Siga cinco profissionais, empresas ou lideranças importantes para o seu mercado.
- Faça três comentários que realmente acrescentem alguma coisa às conversas.
- Liste três assuntos sobre os quais você possui experiência real e gostaria de ser reconhecido.
- Publique um conteúdo sobre um aprendizado, uma opinião, um erro, um projeto ou alguma mudança que você percebeu no seu mercado.
Isso já coloca você na frente de muita gente que passa horas reclamando do LinkedIn sem perceber que o problema nunca foi a plataforma. O problema é deixar um espaço profissional completamente abandonado enquanto clientes, parceiros, fornecedores, concorrentes, talentos e possíveis compradores continuam usando esse espaço para pesquisar, comparar e formar opiniões.
Você pode continuar achando o LinkedIn chato. Pode continuar ignorando os gurus, os posts exagerados e as fórmulas prontas. Só não confunda não gostar da plataforma com ela não ter valor para os seus negócios. Porque, se o seu mercado está lá e você escolhe não estar, isso não é rebeldia. É deixar espaço livre para outra pessoa ocupar.

Escrito por
Chris Paes
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